BETO PORTELA EXPLICA MAFIA DA BASE

18/11/2015 22:26
Da Redação, com Rádio Bandeirantes | esportes@band.com.br
 
O técnico Beto Portella, que foi demitido pelo presidente do Nacional Atlético Clube, Ayrton Franco Santiago, após o repórter Agostinho Teixeira, da Rádio Bandeirantes, ter denunciado o esquema de propina para os jovens jogarem nas categorias de base, abriu a boca e explicou como funciona a máfia do futebol.
 
“Acontece em tudo em qualquer lugar, em outros clubes é R$ 300 mil, R$ 400 mil por jogador pra jogar. É desse jeito que funciona. Essa cifra foi uma das menores ainda (R$ 6 mil). Teve cara que colocou R$ 80 mil pra jogar”, denunciou em entrevista exclusiva.
 
O próprio mandatário Ayrton Santiago reconheceu que propinas são comuns no futebol.
 
“Já fui queimado uma vez porque não aceitei por tal jogador e fiquei fora do futebol por seis meses. É uma máfia mesmo, que lucra meio milhão de reais por ano em time pequeno e lucra milhões de reais ano em time grande. De 20 em 20, 40 em 40, 50 em 50 (chega a R$ 500 mil). É a realidade”, destacou.
 
O treinador garantiu que não foi a primeira vez que foi demitido do Nacional. 
 
“Você sabe por que eu fui demitido da Copa São Paulo no ano passado? porque eu dirigi o Nacional e fui campeão. No dia 23 de dezembro eu fui chamado na sala e fui demitido porque eu não quis por tal jogadores de esquema. Eu não aceitei por isso me tiraram”, comentou.
 
Presidente sabia
 
Beto Portella denunciou que o presidente do Nacional, Ayrton Franco Santiago, sabia da existência da cobrança de propina nas peneiras no clube.
 
“A presidência sabia até porque traz os recursos e ele pega a porcentagem dele, uma comissão como se fosse uma venda normal. Todo mundo no clube sabe que o Josivan fazia isso há muito tempo. Não é uma coisa clandestina. O buraco é mais embaixo. Não é tão simples assim”, explicou.
 
O técnico de futebol sabia do esquema de corrupção na base do clube, mas era acobertado por superiores.
 
“Eu não posso mudar todo um sistema que é acima de mim. Sou um simples treinador. Como posso mudar a concepção de um diretor, presidente, vice presidente? O Josivan ele é um cara que faz esse tipo de coisa e eu não posso permitir porque ele tem envolvimento profissional. Mas eu não participo, apesar de ser conivente e saber que tem isso”, disse.
 
“Eu não sei como mudar, mas sigo com minha prática, minha conduta. O que acontece do meu lado finjo que não vejo, escuto. Eu não consigo mudar. Eles pedem”.